domingo, 21 de setembro de 2008

A Gosto



Cinco de agosto de 2007. Domingo. Nublado. Parecia um dia qualquer, mórbido e cinza. Mas não foi. Pelo contrário. Foi incrível. É estranho como a vida muda de repente. No dia seguinte ele começaria uma nova função no trabalho. Havia sido promovido. A expectativa era grande. Mas não tanto quanto a vontade de ver uma morena. Morena linda.
Sim, ela estava de volta. Retornara após seis meses de intercâmbio na Argentina. Longos seis meses. Sim. Agora ela estava ali... Bem perto, bem próxima...

Sábado. Quatro de agosto. Às quatro horas da tarde recebeu uma mensagem no celular. “Olah. Este eh meu novo numero”. Registrou. E respondeu, claro. “Que bom que vc jah estah aqui”. “Vamos fazer alguma coisa?”. Ela aceitou de pronto. Marcaram domingo, às três da tarde.

Cinco de agosto de 2007. Domingo. Nublado. Parecia um dia qualquer, mórbido e cinza. Mas não foi. Pelo contrário. Foi incrível.
Apesar da ansiedade, acordou tarde. Nem lembrara o que almoçara... Almoçara? Nem sabia mais.
Precisava arrumar a casa, iria receber visita. E que visita! E que bagunça! Por onde começar?
Acho que nunca havia suado tanto em sua vida. Talvez na sua formatura. Havia sido o orador da turma. Suou muito. (é assim a conjugação do verbo “suar”?). E terminou a faxina. Cinco para às três da tarde.
Cara simples, sem carro, ficou de pegá-la no terminal, pois ela não lembrava onde ele morava.
Recebeu uma mensagem: “vou atrasar um poko, dou um tok qdo estiver xegandu”. Ótimo. Alguns minutinhos a mais para dar uns retoques na casa e se arrumar.
“Bah! Esqueci de fazer a barba!” Agora é tarde. Ela acabara de dar um toque no celular. Foi assim mesmo. De barba por fazer. Claro, caprichou no perfume. Sabia o quanto o olfato das mulheres é aguçado.
Chegou no terminal exatamente no momento em que ela passava pela catraca. Ela estava super simples, calça jeans, tênis e uma blusa laranja. Uma simplicidade encantadora.
Seus olhares se encontraram e eles sorriram.
Abraçaram-se. Abraço longo, daqueles que matam as saudades.
Foram para a casa dele. Conversaram horrores. É. Já estava assimilando as gírias dela. Disse que havia convivido muito com uma paulista. Percebia-se. Havia perdido aquele jeito colono de falar, aquele jeito de menina do interior.
Conversaram muito. Horrores, como ela dizia. Escutou atentamente todos os detalhes do seu intercâmbio, cuidadosamente registrado em seu diário.
Combinaram de fazer dança de salão juntos. Iria ser legal e estava abrindo uma turma nova. Ótima oportunidade para começarem. A dançar? Também.
Ele colocou um disco na vitrola. E conversaram, conversaram e conversaram. E riram juntos também. Muito. Sem saber que seria a primeira vez que os dois achariam graça das coisas da vida. De repente, um beijo. Longo. Ávido. Desesperado.
Desligaram o som e ligaram seus lábios. Ele a agarrou com força e lhe prensou contra a parede. As mãos já não tinham mais pudores.
Era apenas nove horas da noite, quando as luzes se apagaram e eles decidiram (sem trocar palavras) que continuariam a conversa em outro cômodo da casa e com outros sons.
Cinco de agosto de 2007. Domingo. Nublado. Parecia um dia qualquer, mórbido e cinza. Mas não foi. Pelo contrário. Foi incrível. E olha que ele nem fez a barba. Nunca mais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Clap, clap, clap!

Excelente!

Beijos, querido.