No começo, acreditei. Tinha esperanças de que valeria a pena, me envolvi, mergulhei de cabeça. Cheguei a pensar que seria tudo diferente. Pensei que você seria diferente.
Aos poucos, fui descobrindo que você não era o que eu imaginava.
Você, rato como eu no horóscopo chinês, com todas as evidências e possibilidades de darmos certo, mas com tantos conflitos. Juro que não entendia. Meus dias foram se enchendo de dor, mágoas e choro. Se navegar é preciso, tive a clarividência de que viver não é preciso. Queria desistir, mas estávamos tão ligados que não poderíamos nos separar. Pelo menos, não por enquanto. Deveríamos esperar a hora certa, a contagem regressiva e só depois dar o adeus.
Nestes últimos dias em que estivemos juntos, refleti muito. Amei, acreditei, botei fé, me decepcionei, caí, chorei, sofri. Mas principalmente, aprendi. Aprendi o que demoraria séculos para aprender e por isso tenho que te agradecer, apesar de tudo. Queria te odiar, mas não consigo. Você deixou marcas que vão ficar para sempre. Concedeu-me o benefício da dúvida, ensinou coisas sobre mim que jamais pude imaginar. Aprendi que a minha vontade deve ser soberana sempre. Devo fazer o que quero, o que gosto e quando quiser. Nada melhor do que acordar e fazer algo que te dê total satisfação.
Hoje sei que não preciso de ninguém para ser feliz e que preciso aprender a dançar sozinho antes de procurar um par. Aprendi que a ansiedade é um mal que deve ser controlado. De nada adianta sofrermos por antecipação, pois a maioria dos fatos possíveis e futuros que nos causam tanta ansiedade, só existem na nossa cabeça e nada mais.
Aprendi que as coisas acontecem na hora certa e que precisamos de calma, muita calma. É necessário respirar fundo antes de cada decisão para podermos escolher o que for melhor para nós. Pois se você não faz as escolhas, as coisas se escolhem por conta própria e aí, há uma probabilidade enorme de cairmos numa armadilha.
Descobri que um beijo carrega muita coisa e que a maioria das pessoas é precipitada quanto às coisas do coração. Criamos tantas expectativas com relação a um desconhecido! Sim, porque por mais que a gente conviva com uma pessoa, ela sempre será uma desconhecida. A vida é dinâmica e as pessoas estão em constante mudança. E por mudarem tanto e tão rápido, nunca as conheceremos plenamente.
Hoje, sou melhor do que quando te conheci. Bom, acho que isso é um princípio da evolução humana, não? Hoje é sempre melhor do que ontem. Hoje sempre é um bom dia!
No fundo, estou triste com este adeus, tão inevitável como nosso encontro. Mas como diz Chico, não vou lhe dar o prazer de me ver chorar. Aliás, faz tempo que não choro e, sinceramente, não tem me feito falta.
Aprendi a me amar mais. Tenho muito mais consciência do valor que eu tenho e voltei a acreditar no amor, apesar de tudo.
Agora que este adeus se torna tão iminente, não me restam mais palavras. Temos que nos despedir e não cabe um “até logo” nem um “até breve”. Jamais nos veremos de novo, isto é fato.
Adeus 2008, foi bom ter você.





